Friday, 6 February 2026

Jogos de Inverno

Se eu acompanho desportos de inverno? Nem por isso.

Se estive hipnotizada a ver a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, em Milano Cortina? Totalmente.

Itália tem tudo: referências universais, cultura de desporto e bom gosto. Da Antiguidade à Unificação, da música à pintura, passando por invenções como a cafeteira (la moka), reconhecemos logo o que estamos a ver. Tudo é bonito, colorido ou monocromático, sempre com requinte.

Laura Pausini entoou o hino de forma digna. São gostos dirão alguns, mas estou habituada a ouvi-lo por homens, aos gritos (de grinta), antes de um jogo de futebol, é no mínimo diferente ouvir esta versão.

É provável que não acompanhe o certâme, mas já valeu esta visão de San Siro em dia de abertura de Jogos Olímpicos.

Thursday, 5 February 2026

Tempestades

Temos vivido tempos (cronológicos e meteorológicos) atípicos. 

Kristin, Leonardo e, prevê-se que pelo menos Marta (peço desde já desculpa, eu às vezes precipito-me. E este verbo foi escolhido de propósito), avançam sem pedir licença Portugal adentro, acima, abaixo. Há chuva e vento de todos os lados, com resultados catastróficos.

Este post não traz novidades, só pretende assinalar estes dias tristes. Para que não fique inconsequente, junto aqui formas de ajudar as populações mais afectadas.

Wednesday, 4 February 2026

Um último destaque no SAPO

 

Quem esteve pelo SAPO Blogs muito provavelmente viu algum post seu ser destacado. Para mim sempre foi uma alegria. 

Ganha-se muito com isso? Em visitas, certamente, mas não era por ganhar ou perder. Sentirmo-nos lidos e apreciados, um pouco como em tudo na vida, sabe bem. Há toda uma gestão e cuidado com os autores que não encontramos noutra plataforma. 

Outra coisa que eu vou guardar enquanto conseguir, embora os meus skills de design não sejam os melhores, é o template que escolhi. Sempre mudei de templates no blogger e no wordpress, mas no SAPO fiquei e não mexi. A minha folhinha de monstera e o café em chávena pires polkadot eram demasiado a minha cara e ainda gosto muito deles.

Agora, vida que segue. Ainda podemos lá passear por uns meses, mas a mudança é inevitável.

Tuesday, 3 February 2026

Vamos lá dar nova vida ao blog (e quem sabe a mim)

Quando criei esta espécie de backup do meu blog do SAPO, não sabia que estariam para fechar em 2026. Uma tristeza, blogs com Gente Dentro, agora desalojada para bloggers e wordpresses.

Entretanto, não escrevi assim tanto quanto isso e apetece-me contrariar essa pequena tragédia.

Já tive blogs aqui, no wordpress e no SAPO. Andei por todo o lado, não tenho pegada: tenho uma balbúrdia digital. Não sei se ainda recupero algum dos que deixei para trás, mas darei uma volta a ver o que se arranja.

Breve apresentação: chamo-me Marta, sou a Pi, e entre outras coisas sou copywriter em dias de trabalho, agitadora de redes sociais - no melhor dos sentidos, prometo - nos tempos livres.

Já agora, também escrevo por encomenda, podemos conversar sobre isso.
Deixem-me um comentário ou enviem mail, vamos pôr essas angústias em Arial 12.

Café que venha será café bem-vindo.

Wednesday, 25 June 2025

Anjos vs Joana Marques

Vamos já tirar isto da frente: ninguém é obrigado a gostar de uns ou de outra. Podemos até cantarolar  uma música deles e já ter rido com um texto dela, ou nenhuma das duas. Eu gosto do trabalho da Joana, também deixo já aqui dito. Também sei umas letras dos Anjos.

Sobre a questão que levou ao julgamento, é um vídeo dos irmãos Rosado a cantar uma versão muito sua do hino nacional, editado como tantos se fazem no dia a dia pelas redes. Na edição, o júri dos Ídolos faz uma avaliação à performance dos Anjos. Toda a gente percebe que é uma brincadeira, creio que não é difícil perceber isso. As alegações de que falta trabalho depois de exibido num instagram perto de si, deixa algumas dúvidas, mas adiante. 

O que me chocará é o precedente que se pode abrir, caso Joana Marques não saia vencedora (e eu não quero acreditar que estamos  viver esses dias), um cancelamento injusto, rancoroso e muito pouco lúcido.

Mesmo que eu não gostasse do que a Joana M. escreve, se fosse um humorista que não das minhas preferências, estaria contra uma condenação. No dia em que uma piada for um crime - e já vimos episódios bem infelizes nesse campo  -, nada está a salvo.  Não vale a pena estar aqui com "depende...", "de umas coisas gosto, outras não...", não tem a ver com gosto pessoal. Ou somos pela democracia - que permite também assinalar o que não gostamos porque, lá está, as pessoas são livres de se manifestar - ou não somos e isso seria triste.

Sobre o Extremamente Desagradável também posso dizer coisas, num outro post.

Rir devia ser o melhor genérico

Não sei porquê, não se olha para o humor como para outras formas de arte. Como para a música, a pintura ou a literatura. Não se vêem reacções tão indignadas se um livro não nos agrada e está num top, ou aquela banda não é a nossa favorita e há quem a ouça. Talvez não pareça, mas o humor e seus autores não são todos iguais. E isso é o melhor de tudo.

Não rimos todos do mesmo, até porque não controlamos (ou não devíamos) o que nos faz rir, ou quando, o que pode já ter causado bons e maus embaraços. O riso é uma reacção involuntária, espontânea e individual, uma ferramenta ao nosso dispor para viver melhor.

Eu posso rir com o/a humorista A, B, D, F e H.

Uma amiga rirá com o/a humorista A, C, D, E e F.

Um amigo, só com o G.

Outro, com o C, E, F, G e H.

Um rirá de tudo e ainda um outro  que "não gosto de coisas para rir".

O que está errado aqui? Nada, absolutamente nada.

Mas há no ar uma má relação com o riso, não sei se um  complexo, uma culpa. Tenta-se impor aos outros, no humor, o que não se faria com outra actividade: "Não me digas que te ris disso, nunca pensei....", "Mas achas graça a esse? ", ou "Tens de ver, vais morrer a rir". Talvez com músicas ou livros se faça pontualmente, mas não com a indignação que o humor desperta.

Que é que eu acho também? Ou nem sou eu, ficou-me cá na memória. Uma vez,  uma professora, determinada e serena, numa aula do 3º ano de História, garantiu:  "As pessoas não dominam conceitos e têm de dominar conceitos..." Eu também não sei tudo, mas tento ter uma opinião minimamente informada, que não se meça apenas pela forma como acordei, ou com um dedo molhado ao vento.

Mas o que se vê e ouve, são muitas frases feitas e mastigadas, repetidas à náusea, tudo com o "destilar ódio" na ponta dos dedos, como ouvimos recentemente, um prepotente "se me faz rir é porque é bom", implicando a ideia de se não me faz rir é porque humilha, que eu cá sou muito boa pessoa. Rir não tem a ver com isso, rir devia ser o desanso, uma breve suspensão das obrigações, chatices e convenções sociais (nunca da democracia, viram o que fiz aqui?). É alias muitas  vezes o que nos é oposto que nos faz rir, o que não esperamos, o que nos surpreende.

Não surpreendentemente, é aqui que quero chegar: Anjos vs Joana Marques. Mas fica para um novo post.

Tuesday, 29 April 2025

Apagão

20:31

Não está frio, embora se sinta já uma ligeiramente fresca brisa. Estou na varanda à espera que a energia volte, olhando cada casa que tenho no horizonte, em busca de uma luz acesa, um clarão da TV. 

Estamos assim desde as 11 da manhã e sente-se bem a ausência da electricidade num dia. Um dia de trabalho, um dia de ginásio, um dia de estar em casa. 

Vi muita gente passear aqui nas redondezas hoje. Grupos, famílias, pessoas em bicicletas, não é costume, como não é costume eu ter tempo para estar só a contemplar. Talvez o tenha e não o faça muito, só isso. 

Todo o dia houve um silêncio diferente. Ouviram-se mais os pássaros, sem os ruídos de cada casa que não pensei nos enchessem assim até a rua. 

Agora está a escurecer e daqui a pouco só lanternas e velas nos acompanharão na espera do sono. Talvez um podcast sobreviva. Há séculos que quero um rádio de pilhas e hoje arrependo-me muito da procrastinação em geral, mas desta em particular. Depois de ficar sem rede móvel, perdi o contacto com o exterior, notícias, família e amigos. Voltei a receber mensagens há pouco mais de uma hora. 

Diz a protecção civil que a energia está a ser reposta gradualmente, apelando à serenidade. O que não terá sido este dia em desesperos e reclamações. De farmácias e supermercados fechados, a medicação que precisa de frio e gente no metro e elevadores. Mais as baterias, todas as baterias a acabar e nós sem as poder recarregar.

Muito menos grave e totalmente de primeiro mundo, mas o texto é meu escrevo o que me apetece, episódios de podcasts, vídeos no YouTube, acumulam-se, que a segunda é forte em conteúdos. Ainda consegui receber o Record, para ler e reler sobre as façanhas desse viking que é Viktor Gyökeres. 

Mas agora já me apetece um scroll. O povo é sereno, mas sente falta do instagram.

 

PS: a luz voltou pelas 21h. Nas varandas parecia fim de ano. Estamos bem dependentes desta jigajoga que é a energia. 

Jogos de Inverno