Não vou falar de direitos ou deveres, Deus me livre, farta dessa conversa. Isto - as greves - na prática é o que se chama 'ma granda chatice para quem tem de se deslocar e não pode, pelo menos como nos outros dias.
Ontem ouvi um senhor dizer "Se eu fosse o Primeiro Ministro proíbia greves durante um ano. Isto está mau, temos de trabalhar.", e lembrei-me de uma vez - já há, se não milhares de anos certamente no século passado - no café onde íamos todos (que é todos? eramos nós, pois. Todos tivemos uma fase em que eramos "todos", e nós íamos todos ao mesmo café) falávamos com um rapaz sobre Angola, a guerra e a paz, por aí. Lembro-me que havia cuidado de quem falava e não era de lá. Já ele, respondeu "Paz, paz... pás e picaretas!" e nós rimos, e houve alívio. É um bocadinho a mesma lógica, sendo que nós não estamos em guerra. Oficialmente, pelo menos. Ou para já.
As greves serão um direito, mas são uma maçada para quem, como eu durante tanto tempo, tem de andar a pensar em percursos e transportes alternativos, falar com amigos, saber como vão, como vêm, chegar muito mais cedo ou muito mais tarde, sair mais cedo para chegar à mesma hora ou mais tarde. Maborreçam, é uma cha-ti-ce.
Esta semana não apanho a greve de comboio. Se preferia ter um emprego? Preferia, mas não tenho saudades das greves. Nenhumas.
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