Dei por eles nas escadas para o metro. Pelo tom dramático e exasperado. - Lucas, levas uma palmada. Desce as escadas como deve ser. E o Lucas saltitava. - Pára com isso, Lucas... - a mão a passar pela cara, quase no cabelo mas sem tocar nos óculos escuros estrategicamente lá metidos. O tom de "não me faças isto, o mundo vai sofrer se fizeres." - Queres a palmada? E os sábios 3 anos respondiam um óbvio "não". - Então pára com isso saxavor, deve as escadas como deve ser, Lucas. Claramente já era o vencer para não ceder, e isso eu posso perceber. As "camadinhas de nervos" não. O Lucas acatou, e foi até à estação direitinho. Mas antes de chegar à gare... Mais uns degraus, mesmo a pedir saltitos. A neurótica da mãe bufou, e como se a tivesse guardada na carteira, voltou à carga "queres a palmada?". Para no fim o deixar saltar apenas os dois últimos. Ela acha que foi um diplomático meio-termo, o Lucas sabe que ganhou. Não os perdi de vista, o drama continuou mesmo com o Lucas sentado e quieto. - Senta-te bem, Lucas. Não me canses, Lucas. Eu estou cansada, Lucas. Não sabes a coisas que eu já fiz hoje. Pelo meio aquela pausa de onde não se sabe se vão sair um grito, uma bofetada ou mais uma súplica. - senta-te bem, Lucas...
Nota: durante o último processo descrito, o acusado manteve-se sossegado e não se ouviu. Pensar, parar para pensar foi a única coisa que a mãe não fez hoje, suspeito.
Enviado de Samsung Mobile
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