Thursday, 30 June 2022

Fui ver... era o bombeiro

Uma noite destas, entre fins de semana de trabalho, queria eu descansar o mais que pudesse, não ganhei para o susto. 


Dormia o meu primeiro sono, bem lançada para um descanso profundo, quando um dos meus pesadelos ganhou vida. Comecei a sentir - longe,  lá ao longe - que batiam a todas as portas. Quis, sem esperança nenhuma, que não chegasse à minha. Chegou,  claro,  quem bateria a todas as portas menos uma,  às duas e pouco da manhã?


Levantei-me,  já com o coração a mil, ouvindo as vozes lá fora:


- Quem está no 5⁰?


- Eu!


- E no 4⁰?


- A Mariana!


Trôpega, quase na porta,  ocorreu-me: "ou é gang, ou bombeiros/polícia. Nenhuma é boa notícia. "


Abri. Era um bombeiro. Alguém deixara qualquer coisa ao lume e tinham sido chamados. 


- Cheira muito a queimado, mas já está controlado.


E o cheiro entrou, instalando-se pela casa. 


- Viemos ver se não há mais nada,  se não é daqui. 


Confesso que não sei se foi isto que me disse, de qualquer forma virei-me  para a minha cozinha, sem ver nada,  diga-se, e respondi:


- Daqui não é... - não sei o que procurava.


No patamar, de outra porta, alguém perguntava "mas temos de sair?" e eu, com tanto sono, só pensava "por favor,  não,  sei lá onde está a roupa agora". A roupa estava (toda) onde está sempre. 


Eu tinha sono,  mas na verdade ainda abri janelas,  para o cheiro e para ficar a ver as luzes do carro, que reflectiam azul intermitente prédio acima. Tirando as luzes, estava tudo calmo, bombeiros tranquilos conversavam lá em baixo. Tinha sono, tanto, mas com o susto de ouvir a porta de madrugada, só voltei a adormecer depois de ver o carro deixar a rua.

No comments:

Post a Comment

Jogos de Inverno