Quando chego a casa é um alívio despir o acordo ortográfico.
Também não o uso nas minhas redes, verdade seja dita, mas a primeira frase fica mais bonita como está, digo eu. O Acordo entrou-nos vida dentro pela escola ou pelo trabalho e nem todos tivemos como lhe fugir.
Já há gerações que aprenderam com ele, e facilita uniformizar, bem sei. Não sou uma feroz opositora, já fui mais crítica da coisa, mas não me ofende. Já dei por mim a usá-lo em mensagens privadas, no whatsapp com amigos, até. Se por exemplo alguém me escreve sem acordo ortográfico e respondo usando alguma das mesmas palavras, também me sinto arrogante se a escrever com a grafia antiga (que continua a ser a minha), por isso não o faço.
Mas continuo a achar absurdo que o pê caia do Egipto, se o egícpio continua a ter de o carregar. Chateia-me muito quando teimam comigo que contacto "já não tem c", se até o lêmos. Letras que se dizem - tenham lá paciência - não omito, seja onde for.
Em suma, uso-o profissionalmente, evito-o fora disso, embora já me espreite a vida privada. Já não me aborrece tanto, só que ainda me apetece usar pês e cês mudos, deixem-me cá.
Boa noite, Pi
ReplyDeleteEu, escrevedor me confesso, nunca cumpri qualquer acordo ortográfico. Por causa disso levei palmatoadas na primária e agora levo com sorrisos de escárnio quando a mão me escorrega para "desacordar" com todos os acordos.
Então, se eu mandasse o acordo ortográfico que gostaria de ver implantado é o seguinte, e passo a demonstrar.
"Us acordus i dezacordus urtugráficus
(Eu não iscrevu respeitandu cualcer acordu urtugráficu).
Um dia destes acurdei com um pensamentu persistentemente istranhu.
Pela primeira vez zuava na miña cabesa uma sensasão urjente de iscrever sobre us acordus urtugráficus ce só têm trazidu dezacordus ce muitas vezes descambam em palavras agresivas.
Pois nese tal acurdar desidi dezistir de dizer a mim mesmu ce um acordu é uma convensão i comu tal não entendu tantu sururu à volta de cual é a verdadeira i mais cu¨reta iscrita.
Pois para não me ver ubrigadu a tumar partidu pelu últimu, pelu penúltimu ou pur cualcer outru anterior a estes desidi iscrever cumu me der na te'la.
Xegei à concluzão ce se cualcer um pode respeitar, ou desrespeitar u ce se convensiunou ser u ce me'lor se adecua a uma pusível converjênsia para uma iscrita ce seja a mais abranjente pusível para todus us falantes da mesma língua, desidi, então, iscrever du modu ce bem me apetesa. A iscrita é miña, eispresa o meu pensamentu i a mão ce a iscreve nu papel para depois ser pasada nu computador, ainda me pertense. Logu istou nu meu direitu de uzar a grafia ce me der nu toutiso.
Concluindu – cada um iscreve u ce entender, cumu cizer.
Se u ce escrevu segundu a miña autunumia não for bem entendidu, u problema deixa de ser du meu foru. A cestão é ce se cada um iscreve segundu u acordu ce mais 'le parese ser u mais perfeitu, também eu tenhu u direitu de uzar o modu de escrever com a urtugrafia ce desida segundu u umor du mumentu.
Para todus um bom fim de semana xeiu de alegrias, boas iscritas e me'lores leituras.
Até à prósima e desculpem cualcer coiziña,
Zé Unofre
(No Blog Notas à margem, "Sobre..." 2 - us acordus i dsacordus urtugráficos, em "casasobreotombio.blogssapo.pt)
"Concluindu – cada um iscreve u ce entender, cumu cizer."
ReplyDeleteParece-me bem. Obrigada pelo comentário.
E o que pretende com este post?
ReplyDeleteQuer que os outros saibam que não acha bem o acordo ortográfico?
Já reparou que muitos dos posts falam em assuntos que servem para nada.
Talvez sirvam para distrair alguns!
Boa tarde, Pi
ReplyDeleteDesculpe a brincadeira. A verdade é que ouvi muitas vezes a minha mãe lamentar-se das alterações ortográficas por que passou. Dizia ela - na primária aprendi a escrever Izaura, agora escrevo Isaura; o meu tio chamava-se Luiz, o meu filho chama-se Luís; escrevia Marco de Canavezes, agora é Marco de Canaveses.
Havia ainda aquela anedota - antigamente farmácia escrevia-se com «ph», e hoje. O menos atento querendo dar uma de entendido respondia com «f». Não, corrigia o perguntador, hoje escreve-se com «h».
Uma boa semana,
Zé Onofre
São como este comentário. Quem não quer saber, passa ao lado, quem quer ser notado mesmo por ser desagradável, comenta. São escolhas. A mim apetece escrever, escrevo.
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