Ontem o drama, a confusão eram com o humor. Nada de novo nas redes sociais, basta morrer alguém e haver uma piada para se levantar mais uma vez a discussão dos limites. Não há limites no humor, o limite é o de cada um de nós que o recebe e gosta ou não. E quem o faz saberá até onde quer ir seja lá por que motivo for. Mas esta conversa ainda tem alguma elevação e o que se tem lido não tem tanta. Vejamos. O verdadeiro drama, esse sim, que aconteceu esta semana está ligado à uma publicação satírica, a pessoas que viviam do humor. Vêem-se bastonários da liberdade de expressão em cada cantinho da Internet. E por mim, tudo bem embora desconfie que sejam os mesmos que estão de dedinho virtual apontado em ocasiões mais nacionais digamos. Se se ousa fazer humor com o assunto viram lápis azul, que falta de respeito, o Charlie é que te deu a liberdade que tens hoje, se podes falar assim à caricatura do Bin Laden ou Moisés ou lá que é o deves. E fica-se a pensar afinal que volta é que isto dá e onde se perde o humor no meio deste drama, e ainda como é fascinante que transponham o discurso do 25 de Abril para Charlie Hebdo. As pessoas têm mesmo uma gavetinha de chavões - um folder, as mais modernas - prontos a usar em cada assunto. Uma coisa não tem a ver com a outra, perceba-se isso de uma vez. Porque alguém pergunta "hoje ainda somos Charlie?" não deixou de achar um horror e repudiar o que aconteceu. Por dizerem "eu cá nunca disse que era Charlie" não têm mais estilo que os outros, é indiferente que o tenham escrito, importa mais que o sejam todos os dias. Importava também e mesmo que se percebesse que uns desenhos (desenhos, pá!) e humor acabaram num banho de sangue. E o comentário a fazer não é "puseram-se a jeito..." ou "se fosse o teu profeta queria ver...". Não. A questão é muito básica: não se mata. Um dia podíamos fazer um exercício todos juntos: raciocinar.
Enviado de Samsung Mobile
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