Ontem fomos todos Charlie, hoje ainda somos todos Charlie, amanhã talvez menos, depois menos e assim sucessivamente. Sem censura nem problema, somos assim e não nos vamos esquecer disto nunca, tenho essa certeza, digamos ou não que somos Charlie.
Dizia, fomos todos Charlie, escolhemos ver ou não as imagens brutais do ataque.
Lemos o Gustavo Santos e optámos por falar ou não sobre a tontice do Gustavo.
Escolhemos, fomos livres de ver, criticar, gritar e espernear. E somos. Porque somos Charlie e não é de ontem.
Ao fim do dia os censores de serviço eram muitos. Dos que não queriam ter o vídeo à frente do nariz aos que não acreditavam que houvesse quem não tivesse emitido uma palavra sobre o assunto o dia todo. Só não cheguei a ler "já chega de Charlie Hebdo", mas pode ter sido só distracção minha, é a afirmação clássica em dias dominados por um só assunto, seja qual for, nas redes sociais.
Portanto, não gostamos do que pensam os Gustavos Santos mas queremos que toda a gente fale. E quantos mais Gustavos haverá? Muitos, não duvido. Por mim, tudo bem, todos temos direito a expressar-nos. Como a estar calados, se assim o quisermos. As pessoas cansam-me, no fundo é isso.
E não vejo isto como Islão contra Ocidente, e mesmo a liberdade de expressão me custa que seja o estandarte para uma coisa tão triste e animalesca. Se as caricaturas foram o motivo, é estúpido. Se são uma desculpa para alimentar ódios, começar guerras, lançar a extrema direita, o que queiram, ainda é mais cretino. Isto foi uma atitude hedionda de umas bestas, sejam quem forem e quantas forem. Células de bestas, se quiserem. E massacres, entradas em edifícios para matar gente não são coisa estranha ao Ocidente, convenhamos. Portanto não me venham com o Islão inteiro que eu também não admito que me julguem por um Breivik.
O que eu sei, o que para mim hoje está a valer, é que aqueles grandes queridos que andaram aos tiros em Paris para calar caricaturas, conseguiram que hoje as houvesse por todo o mundo nas primeiras páginas dos jornais. Maior espalhafato não era possível. Ainda bem.
Enviado de Samsung Mobile
Quando se trata da liberdade de expressão! Não há ses, nem mas, porque só a liberdade é eterna.
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